Coordenador renuncia cargo após flagrar alunos usando crack na Universidade Federal do Piauí

“Se não fizermos algo agora em dois anos vamos ter uma cracocolândia em Teresina e será dentro da Universidade Federal do Piauí”, disse

O  ex-coordenador do Curso de Jornalismo e professor da Universidade Federal do Piauí, Silvio Henrique Barbosa, que é doutor em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, renunciou ao cargo de coordenador após se posicionar contra o uso de drogas pesadas como a cocaína e o crack, dentro do Centro de Ciências da Educação da Universidade Federal do Piauí, Campus Ministro Petrônio Portella.

De acordo com o professor doutor em Ciências da Comunicação pela ECA-USP com 26 anos de atuação como docente, o tema é muito delicado, pois envolve o uso de drogas ilícitas e pesadas por alunos dentro do ambiente acadêmico. Silvio concedeu entrevista nesta sexta-feira (12) ao programa Banca de Sapateiro, na TV Rádio Jornal Meio Norte e afirmou que os traficantes invadiram o espaço da universidade.

“Quando passei no concurso no ano passado, sai de São Paulo e vim morar no Piauí, onde comecei a dar aula no mês de março e fiquei muito chocado quando logo de cara constatei o uso diário de maconha de forma muito aberta e em três ocasiões testemunhei o uso de crack que é uma droga altamente destrutiva, então o fato do nosso alunado consumir a maconha normalmente no nosso campus, deve ter dado espaço para o traficante achar que poderia levar drogas pesadas, violentas e muito baratas para a universidade, enfim nossos alunos são o rebanho e o traficante é a onça”, destacou.

Ainda de acordo com o professor doutor, o seu inconformismo com esse cenário foi tão grande, que instaurou alguns processos internos, foi até o Ministério Público Federal e renunciou o cargo de coordenador do curso de Jornalismo. “Nosso reitor prontamente pediu a investigação da Polícia Federal, mas diante de tudo isso eu passei a ser violentamente criticado nas redes sociais com ataques xenofóbicos e preconceituosos por parte de alguns alunos com mensagens do tipo: ‘paulista autoritário’; ‘essa gente que vem de fora roubar emprego de piauiense’; ‘homem branco que vem do sul e não conhece a realidade dos estudantes’, por isso acho que se a gente não fizer algo agora em dois anos nós vamos ter uma cracocolândia em Teresina e será dentro da Universidade Federal do Piauí, quero aqui declarar meu amor a universidade e dizer o que eu faço não é por birra com aluno. O que eu faço é por amor, a gente tem que proteger esse patrimônio. A universidade é um templo que produz saber, conhecimento e não pode ser comparada a boate e ao barzinho”, acrescentou.

Segundo o professor, a universidade é democrática, do ponto de vista que é para todas as pessoas, mas não é um espaço de todas as atividades.

O centro acadêmico de Comunicação Social divulgou nota para esclarecer fatos e acusações contra os membros do CACOS e a instância de representação estudantil. Nesta tarde do dia 11de Julho de 2019, o Coordenador do curso prof. Dr. Silvio Henrique Vieira Barbosa lançou uma carta aberta anunciando sua renúncia de cargo no fórum do SIGAA. Onde justificou sua ação pautado em convicções pessoais.

De acordo com a nota o referido docente possui 10 processos de assédio moral movidos por alunos durante o primeiro semestre de 2018. Processos que foram realizados após o professor ameaçar e gritar com uma aluna dentro de sala aula, causando não apenas humilhação como também intimidação e medo aos outros alunos presentes.

Criminalizar um espaço de convivência pacífico não era suficiente para o professor, este registrou um boletim de ocorrência (B.O) contra um aluno que se manifestou de forma pacífica com um cartaz. O referido cartaz dizia o seguinte “Se o Crack vicia, a ignorância mata.” De acordo com a interpretação do professor, isso se configurava como uma ameaça de morte a ele. Questiona-se como professor conseguiu os dados do aluno denunciado, uma vez que tinha acesso a dados de todos os matriculados no curso. Não é difícil perceber que o ato de levar à justiça um problema que poderia ser resolvido através do diálogo com a Chefia de Departamento foi realizado com o único objetivo de humilhar e demonstrar poder sobre os mais fracos, nesse caso, os alunos, e em específico, aqueles que ele acredita veemente que o perseguem”, afirmam.

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