Igreja Universal sinaliza romper com Bolsonaro por causa de crise em Angola

O governo do presidente Jair Bolsonaro vê crescer a ameaça de perder o apoio da Igreja Universal do Reino de Deus. Foram emitidos alertas de um possível desembarque a partir de pessoas próximas ao bispo Edir Macedo, fundador da igreja, e de congressistas do Republicanos, partido ligado à instituição evangélica.

Nesta sexta-feira (14), o bispo Renato Cardoso, responsável pela Igreja Universal no Brasil e genro de Edir Macedo, criticou diretamente o governo Bolsonaro em entrevista ao Jornal da Record –emissora de Macedo.

Cardoso falou em “decepção” e apontou “omissão” por parte do governo no caso envolvendo conflitos sobre a permanência de pastores da Igreja Universal em Angola.

O pivô do desgaste entre evangélicos da IURD e o governo foi a alegada inação das autoridades brasileiras à ordem de deportação de 34 brasileiros do país africano. A medida foi imposta depois de desentendimentos com a Igreja Universal do Reino de Deus de Angola. Presente no país estrangeiro desde 1992, a Universal afirma que o conflito começou há mais de 1 ano, quando ex-pastores angolanos foram expulsos da igreja e reagiram.

“O que mais nos indigna não é o que está acontecendo lá em Angola. É a ausência de autoridades brasileiras para interceder pelos pastores, pelos brasileiros em um país estrangeiro. Até quando o governo brasileiro vai ficar calado, passivo, diante desta situação?“, questionou Cardoso.

Ele lembrou que os religiosos são parcela importante da base de apoio do governo. Desde a campanha eleitoral de 2018, Edir Macedo apoia Bolsonaro.

“[O governo] já deveria estar fazendo cumprir os seus tratados internacionais com a Angola. Esse é o protesto, especialmente do povo cristão, do povo católico, do povo evangélico, que apoiou esse governo, faz parte da base do governo. Mas, agora recebe em troca uma omissão. É muito triste e decepcionante para o povo cristão no Brasil“, declarou Renato Cardoso.

Eduardo Bravo, presidente da União Nacional das Igrejas e Pastores Evangélicos, disse ver “requintes de crueldade” por parte do governo angolano e “perseguição religiosa muito grande”. “O Itamaraty não está respondendo à altura”, disse.

Em agosto do ano passado, os angolanos determinaram o fechamento de templos da igreja no país. A Universal foi acusada de atos ilegais, entre eles fraude fiscal e exportação ilícita de capitais. A igreja respondeu que recorreria da decisão. Cobrado por lideranças religiosas e por congressistas, Bolsonaro havia enviado, em julho de 2020, carta ao presidente de Angola, João Manuel Lourenço, demonstrando preocupação e solicitando garantias de proteção a membros da Universal e ao patrimônio da igreja no país africano.

Desde então pastores brasileiros e suas famílias estavam em situação incerta em Angola, até a decisão de deportação nesta semana. Em nota divulgada nessa 5ª feira (13.mai.2021), o Ministério das Relações Exteriores afirmou ter convocado o embaixador de Angola “para solicitar esclarecimentos sobre a deportação de nacionais brasileiros no dia 11/05 e os aspectos legais associados ao caso”.

O Itamaraty declarou que “manteve permanente contato com as autoridades angolanas para assegurar a devida proteção consular” dos brasileiros deportados. Segundo o MRE, 9 brasileiros embarcaram ao Brasil na 3ª feira (11.mai) e os demais que não conseguiram embarcar puderam aguardar o embarque em suas residências.

Fonte: Poder360

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