No Brasil, Covid mata 11 vezes menos que no auge da segunda onda, em 2021

Em abril do ano passado, taxa de letalidade era superior a 4%; atualmente, morre pouco mais de 0,3% dos infectados

Vacina fez desabar número de mortes no Brasil

A observação do número de casos de Covid-19 e do número de mortes pela doença no Brasil mostra que a atual onda da pandemia, a quarta, mata 11 vezes menos que no auge dela, em abril de 2021.  

Profissionais do setor de saúde dizem que a redução no número de óbitos evidencia quanto a vacinação da população evitou uma tragédia sanitária ainda maior. Em dois anos e quatro meses de pandemia, mais de 670 mil brasileiros morreram por Covid-19.

“O número de novas mortes cai bastante porque as vacinas vão se aprimorando e ficando mais fortes e eficientes. Se as pessoas continuarem se imunizando, é assim que vai acabar a pandemia”, diz o infectologista Pedro Hallal, professor do Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas.

De acordo com o painel do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), que faz o acompanhamento semanal da pandemia, o pior momento da Covid ocorreu entre 4 e 10 de abril do ano passado, quando foram registrados 21.141 óbitos. O dado representa 4,3% dos casos computados no mesmo período: 491.409 infectados.

Na atual onda da doença, a semana mais preocupante se deu entre 5 e 11 de junho, quando 1.077 brasileiros morreram e 292.066 pegaram o novo coronavírus — o equivalente a 0,36% de letalidade, índice 11,6 abaixo do visto em abril de 2021.

“Daqui em diante, é essencial estimularmos a vacinação nas doses regulares e de reforço, para não darmos margem à subida das mortes novamente”, alerta Hallal.

Subnotificação só vai aumentar

O infectologista Renato Kfouri, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), explica que, além da redução da mortalidade, estamos vendo o avanço sem volta da subnotificação de casos.

Temos uma letalidade reduzida e números de testes falseados pela baixa notificação”, diz Kfouri. Ele acrescenta que, mesmo antes da chegada dos autotestes (comprados em farmácia e que não exigem o registro oficial dos resultados positivos), as pessoas poucas vezes buscavam o exame para constatar a Covid.

“E a tendência é essa, de termos cada vez menos notificação, até porque a doença vai ficando comum, endêmica. Ninguém reporta gripe, por exemplo, e com a Covid será assim também.

Segundo Kfouri, o papel dos órgãos de vigilância sanitária no momento não é tentar descobrir 100% dos infectados, mas, sim, reconhecer mudanças de padrão no avanço da doença, como alteração da faixa etária que mais se contamina ou o surgimento de novas variantes do coronavírus. “E esse acompanhamento se faz por amostragem de casos, sem a necessidade da totalidade dos dados”, esclarece.

Levando em conta, no painel do Conass, sempre as semanas mais letais da pandemia em cada fase da doença no país, a primeira onda foi mais mortal entre 19 e 25 de julho de 2020, com 7.714 óbitos e 319.389 casos. Letalidade de 2,1%.

Após uma segunda onda de percentual acima de 4%, a letalidade caiu bastante na terceira onda, no início de 2022. Entre 23 e 29 de janeiro deste ano, morreram 3.723 brasileiros e foram notificados 1.305.447 casos, recorde em sete dias no país.

Segundo o mapa de vacinação do portal R7, 79% dos brasileiros tomaram pelo menos duas doses contra a Covid-19 ou tiveram a aplicação única do medicamento do laboratório Janssen. E 48% foram aos postos de saúde em busca de reforços na imunização.

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